sábado, 31 de janeiro de 2009

Minha Gaza

No que se refere às Relações Internacionais, este ano definitivamente começou “bombando”, principalmente na Palestina (humor negro torpe, eu sei). Conflito belicoso na terra prometida; desentendimentos entre Rússia e Ucrânia (início de ano congelado pra parte da EU); problemas diplomáticos entre Brasil e Itália (pondo em discussão –ou não– os quesitos para a concessão de refúgio político); Obama fazendo o que estávamos torcendo para que ele fizesse (a comunidade anti-USA agradece); Fórum Social Mundial ao meu alcance (apesar de eu ser capaz de vender um rim para estar em Davos) e assim por diante. Tudo isso imerso na tensa atmosfera de crise financeira que se alastra sobre nossas vidas de uma maneira ou de outra.

Minha Gaza


Devo confessar que nenhum desses casos me sensibiliza tanto quanto a questão da Palestina. Estudar sobre isso foi como me auto-traumatizar com algo que não vivo, não presencio, não sinto na pele nem sinto o cheiro, mas só a palavra escrita, as imagens e os vídeos que vi foram e são suficientes para desencadear um surto de taquicardia e dor no peito que não sei ao certo se faz sentido.

É uma questão complicada. Às vezes parece que Violência e Fé são dois lados de uma mesma moeda.

O que aconteceu com o povo Palestino é internacionalmente reconhecido como uma injustiça, porém, a ação de grupos terroristas mina todo o respaldo que a causa teve ou tem ou possa vir a ter.

Em 2006, quando o HAMAS venceu as eleições, confesso que fiquei satisfeita. Hoje, todavia, estou profundamente decepcionada com a postura por eles adotada, pois consiste em um ciclo vicioso de matar e morrer mais e mais. Desse modo, concentro meu apoio e esperanças no FATAH.

Israel quer a criação do tão esperado Estado Judaico na Terra Prometida. Terra essa que possui pontos importantes para os três descendentes de Abraão (judeus, cristãos e mulçumanos). O Hamas não reconhece o Estado de Israel, uma vez que foi criado em território palestino sem o aval da população. Como se não bastasse, veio a Guerra dos Seis Dias que resultou em menos território para o povo palestino.

Afirmações:

# Israel
1. Israel tem todo o direito de defender seu território de ações terroristas;
2. Isso não deixa Israel livre para cometer crimes de guerra (atacar civis, responder desproporcionalmente aos ataques recebidos, e outros que adiciono como crimes de guerra: Bombardear instituições de organismos internacionais, impedir a entrada de ajuda humanitária na região atacada, atacar estoques alimentícios, entre outros);
3. Eu realmente não gostaria de estar no lugar dos governantes de Israel e lidar com os ataques Palestinos.
# Palestina
1. A população palestina tem todo o direito se sentir injustiçada pela criação do Estado de Israel;
2. A Palestina tem todo o direito de querer de volta os territórios perdidos na Guerra dos Seis dias;
3. Os palestinos têm o direito de visitar seus locais sagrados localizados em Israel;
4. Os palestinos não têm o direito de infligir ações terroristas contra Israel.
# Eu
1. Para conseguir a paz, é necessário deixar o passado no passado;
2. A Palestina não tem hard power suficiente para conseguir o que quer do jeito que está fazendo;
3. Os países árabes deveriam desempenhar um papel mais sensato nesse conflito;
4. O alimento do conflito é o extremismo religioso dos dois lados.

De certo modo, a paz nessa região parece algo longínquo e abstrato, coisa de outro planeta. É fácil fazer essas análises superficiais do conflito, afinal, não perdi ninguém importante nele, minha família não corre perigo com ele, não vivo essa vida nervosa a qual eles estão condenados. Mas me preocupo com eles.

Em O Bobo, Alexandre Herculano escreveu que "Numa sociedade em que as torpezas humanas assim apareciam sem véu, o julgá-las era fácil. O dificultoso era condená-las". Faço de suas palavras minhas palavras.

6 comentários:

  1. Compartilhei e compartilho com você esse “surto de taquicardia e dor no peito que não sei ao certo se faz sentido”, quando vejo nos noticiários televisivos ou na nossa querida e necessária internet. Mas particularmente não consigo me manter tão lógico e preciso como você ao avaliar esse tema, pois sou um anti-sionista convicto e na medida do possível militante. Contudo ao ler esse belo texto pela quarta vez tenho que admitir suas afirmações estão absolutamente corretas.

    ResponderExcluir
  2. "Jejum do Yom Kippur limpeza da primavera do de dentro. A paz e a guerra dependem da digestão de algum sujeito. Religiões. Perus e gansos de Natal. Matança dos inocentes. Comer, beber e alegrar-se. Então é o pronto-socorro cheio depois. Cabeças atadas. O queijo digere tudo menos a si mesmo. Queijo poderoso."

    ...=D

    ResponderExcluir
  3. "A Irlanda é o único país que nunca perseguiu os judeus. Sabe por quê? Porque nunca os deixou entrar."

    ...=P

    ResponderExcluir
  4. " Deus quer vítima cruenta. Nascimento, hímen, martírio, guerra, fundação de um edifício, sacrifício, flamofertório de rim, altares de druidas."


    chega de citações por hoje.
    =)

    ResponderExcluir