domingo, 8 de fevereiro de 2009

E o FSM 2009: algumas impressões.

O Fórum Social Mundial surgiu em 2001, contrapondo o Fórum Econômico Mundial, anualmente realizado na cidade de Davos, Suíça.

“O Fórum Social Mundial (FSM) é um evento de âmbito mundial, organizado por movimentos sociais com objetivo de celebrar a diversidade, discutir temas relevantes e buscar alternativas que julgam adequadas para questões sociais.”

Wikipédia

Em 2009, o FSM foi realizado em Belém do Pará, plena Amazônia - menina dos olhos de cientistas, economistas, governos, hippies, internacionalistas, etc.

Por ironia do destino é lá que moro, de modo que não tive que me esforçar muito para participar do evento. Inscrevi-me no Acampamento da Juventude e passei a maior parte do meu tempo no Fórum. A partir disso, tive as seguintes impressões:

I. O FSM superou e muito as expectativas que foram criadas sobre ele, uma vez que a cidade não tinha infra-estrutura alguma para realizar o evento.

II. Ainda assim, o evento teve suas deficiências, principalmente quanto à preparação dos voluntários responsáveis por ajudar os participantes a se localizarem na grande extensão territorial do evento:
a. 40% mostraram incerteza ao me dar uma informação;
b. 70% me deram informações erradas (o que me fez perder muito tempo);
c. Houve um voluntário que reencontrei algumas vezes durante o fórum, e ele não tirava o celular do ouvido, todo feliz gastando seus créditos promocionais pra matar o tédio, e eu: tensa por estar perdida (de novo).

III. O FSM tem o propósito de discutir temas relevantes. “Temas relevantes” é algo muito abrangente. O que é relevante pra mim pode não ser para você, assim sendo, do meu ponto de vista, para cada atividade interessante haviam mais de quarenta atividades que considero completamente irrelevantes.

O FSM também propõe buscar alternativas para questões sociais, e nesse ponto observei algo interessante. Enquanto cobramos uma lista de propostas uniformizadas no fim do FSM (o que não recebemos, claro), o que acontece no evento são acordos internos entre grupos específicos propostos durante suas atividades no fórum. Ao menos foi isso que aconteceu na atividade Cooperação Internacional – Solidariedade Norte e Sul, proposta pela UNISOL Brasil (cujo site se encontra fora do ar). Fiquei feliz quando um dos participantes disse que o desenvolvimento do Norte e do Nordeste deve ser prioridade para cada brasileiro.

Também participei da atividade Visiones de Integración: IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana) y UNASUR (União das Nações Sul-Americanas), proposta pelo Bank Information Center. Todavia, ao chegar atrasada na atividade (por culpa das orientações enganosas dos voluntários), vi que a atividade tratava da visão indígena sobre o tema. Eu esperava uma discussão entre acadêmicos renomados com uma invejável bagagem intelectual, mas a realidade se mostrou, de maneira peculiar, ainda mais interessante. Presenciei as declarações dos índios colombianos, equatorianos, chilenos, peruanos e bolivianos.

Colombianos: Disseram que a IIRSA favorece o capitalismo. Que há uma falta de abertura para as opiniões do povo, e que o povo não é consultado e por isso as pessoas a são impedidas de exercer atividades para sua subsistência (pesca, caça, colheita...). Eles disseram que o bom convício entre os povos indígenas e os brancos beneficiará a todos, mas que se deve considerar que os povos indígenas têm condições diferentes das dos brancos, são filosofias de vida diferentes. Sem mais delongas, disseram que o projeto trará conseqüências ruins para os povos indígenas.

Equatorianos: Disseram que os projetos vão destruir a biodiversidade e os povos indígenas e que a implementação de certas políticas públicas faz com que os índios digam Não! Disseram também que, por experiência, perceberam que o desenvolvimento do capitalismo não significa o desenvolvimento da saúde, da educação, etc. Crêem que o desenvolvimento é importante sim, mas com vida.

Chilenos: Disseram que sua economia está nas mãos das multinacionais/transnacionais que exploram suas terras sem considerar os impactos ambientais. Terminaram o discurso com a frase: Outro mundo é possível, mas se não defendermos nossa mãe terra (pachamama), nenhum mundo é possível.

Bolivianos: mencionaram a livre determinação dos povos, e disseram que o IIRSA é um modelo a mais do imperialismo e um passo a mais para destruir os povos indígenas.

Peruanos: Disseram que são contra todas as atividades que possam prejudicar a vida dos povos indígenas. Um senhor do grupo tomou a palavra. Citou os dois princípios básicos da filosofia indígena: o coletivismo e o amor à natureza. Disse também que o que pregam não é o socialismo, pois eles são assim há milhares de anos antes do nascimento de Marx. Ele disse que antes da chegada do capitalismo à América Latina, eram as pessoas que pertenciam à terra, e não a terra que pertencia às pessoas. Sobre o aquecimento global, ele disse que isso não é um problema pessoal, e sim um problema com o sistema.

Então se preparem: dia 12 de outubro será o dia da mobilização mundial pela vida.

Outro evento importante foi o lançamento do Portal ODM, que serve como um “monitor” dos objetivos do milênio no Brasil. O evento contou com a presença do simpaticíssimo Minar Pimple, oficial do programa dos ODMs na Ásia/África e diretor do programa Stand Up! Speak Out! (Vídeo no Youtube).

O Que Estou Lendo?

A Alma do Homem Sob o Socialismo, de Oscar Wilde.
Terminei de ler agora.
Apesar de concordar com 70% de suas idéias, discordo de 80% de suas conclusões.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Minha Gaza

No que se refere às Relações Internacionais, este ano definitivamente começou “bombando”, principalmente na Palestina (humor negro torpe, eu sei). Conflito belicoso na terra prometida; desentendimentos entre Rússia e Ucrânia (início de ano congelado pra parte da EU); problemas diplomáticos entre Brasil e Itália (pondo em discussão –ou não– os quesitos para a concessão de refúgio político); Obama fazendo o que estávamos torcendo para que ele fizesse (a comunidade anti-USA agradece); Fórum Social Mundial ao meu alcance (apesar de eu ser capaz de vender um rim para estar em Davos) e assim por diante. Tudo isso imerso na tensa atmosfera de crise financeira que se alastra sobre nossas vidas de uma maneira ou de outra.

Minha Gaza


Devo confessar que nenhum desses casos me sensibiliza tanto quanto a questão da Palestina. Estudar sobre isso foi como me auto-traumatizar com algo que não vivo, não presencio, não sinto na pele nem sinto o cheiro, mas só a palavra escrita, as imagens e os vídeos que vi foram e são suficientes para desencadear um surto de taquicardia e dor no peito que não sei ao certo se faz sentido.

É uma questão complicada. Às vezes parece que Violência e Fé são dois lados de uma mesma moeda.

O que aconteceu com o povo Palestino é internacionalmente reconhecido como uma injustiça, porém, a ação de grupos terroristas mina todo o respaldo que a causa teve ou tem ou possa vir a ter.

Em 2006, quando o HAMAS venceu as eleições, confesso que fiquei satisfeita. Hoje, todavia, estou profundamente decepcionada com a postura por eles adotada, pois consiste em um ciclo vicioso de matar e morrer mais e mais. Desse modo, concentro meu apoio e esperanças no FATAH.

Israel quer a criação do tão esperado Estado Judaico na Terra Prometida. Terra essa que possui pontos importantes para os três descendentes de Abraão (judeus, cristãos e mulçumanos). O Hamas não reconhece o Estado de Israel, uma vez que foi criado em território palestino sem o aval da população. Como se não bastasse, veio a Guerra dos Seis Dias que resultou em menos território para o povo palestino.

Afirmações:

# Israel
1. Israel tem todo o direito de defender seu território de ações terroristas;
2. Isso não deixa Israel livre para cometer crimes de guerra (atacar civis, responder desproporcionalmente aos ataques recebidos, e outros que adiciono como crimes de guerra: Bombardear instituições de organismos internacionais, impedir a entrada de ajuda humanitária na região atacada, atacar estoques alimentícios, entre outros);
3. Eu realmente não gostaria de estar no lugar dos governantes de Israel e lidar com os ataques Palestinos.
# Palestina
1. A população palestina tem todo o direito se sentir injustiçada pela criação do Estado de Israel;
2. A Palestina tem todo o direito de querer de volta os territórios perdidos na Guerra dos Seis dias;
3. Os palestinos têm o direito de visitar seus locais sagrados localizados em Israel;
4. Os palestinos não têm o direito de infligir ações terroristas contra Israel.
# Eu
1. Para conseguir a paz, é necessário deixar o passado no passado;
2. A Palestina não tem hard power suficiente para conseguir o que quer do jeito que está fazendo;
3. Os países árabes deveriam desempenhar um papel mais sensato nesse conflito;
4. O alimento do conflito é o extremismo religioso dos dois lados.

De certo modo, a paz nessa região parece algo longínquo e abstrato, coisa de outro planeta. É fácil fazer essas análises superficiais do conflito, afinal, não perdi ninguém importante nele, minha família não corre perigo com ele, não vivo essa vida nervosa a qual eles estão condenados. Mas me preocupo com eles.

Em O Bobo, Alexandre Herculano escreveu que "Numa sociedade em que as torpezas humanas assim apareciam sem véu, o julgá-las era fácil. O dificultoso era condená-las". Faço de suas palavras minhas palavras.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano Novo

31 de dezembro de 2008,

23h 30min.

É como se fosse uma nova chance. Viradas de ano não acontecem todo dia. Era natural que eu estivesse altamente ansiosa, cheia de entusiasmo e expectativas, boas vibrações sobre todos os maravilhosos acontecimentos que ocorrerão nesse novo ano, sobre todos os projetos importantes que poderei concluir com êxito.

Hesito.

E se, derrepente, 2009 for um ano de derrotas frustrantes onde surpresas nada agradáveis estarão me esperando? “Meu Deus!”, pensei, “e se eu não estiver preparada?” É claro que eu não cumpri todas as minhas metas para2008, e essas metas não cumpridas terão que ser adicionadas às metas de 2009, que já são muitas. Ou, seja, terei uma sobrecarga de metas!!!

Pensei sobre isso durante um bom tempo, com o coração desconsolado e a respiração receosa, imersa em uma densa atmosfera de pessimismo. E o pior: em coro, começou-se a contagem regressiva para a virada de ano! Logo, logo eu seria obrigada a entrar no ano de 2009 sem saber se estou preparadapara tal e, claro, sem ter tempo para me preparar.

Cansada, sonolenta e aproveitando um lapso de redenção, fiz o que toda pessoa faz ao se deparar com uma questão sem solução: entreguei a Deus. Seja o que Deus quiser em 2009.

02 de janeiro de 2009

TUCURUÍ (PA) – Como diria meu amigo Barack Obama, the change has come. Tenho interesse particular em algumas das questões internacionais cujo destino guarda grandes surpresas para esse ano. Por outro lado, 2009 é um ano muito importante para minha vida pessoal. É o ano em que, Inshallah, concluirei a faculdade, passando a maior parte do tempo colhendo informações para o meu TCC (cujo tema ainda está em discussão), conseguirei um estágio, contribuirei mais intensamente para o desenvolvimento do NADRI com a execução de grandes projetos e assim por diante. Parece que só penso em trabalho e, de certo modo, é verdade.

Decidi usar meu tempo relativamente vago para escrever com certa regularidade nesse blog. Identificado o motivo da criação, resta identificar os temas que abordarei e o publico alvo.

Pretendo comentar sobre qualquer coisa que me venha à cabeça durante a montagem dos textos, de modo que o leitor do meu blog estará sujeito aos mais diversos assuntos, que vão desde a minha vida pessoal até a vida pessoal de Nambaryn Enkhbayar, presidente da Mongólia.

Para quem escrevo? Bem, escrevo aos meus amigos, e o termo “amigos”, nesse caso, entende-se por qualquer pessoa que se interesse em ler o que escrevo. Desse modo, escrevo pra você.

Teremos um longo percurso pela frente, minha querida multidão de leitores (*ironia*).

Então é isso.


Leitura indicada:

Hoje comecei a ler o livro “Deu no New York Times: O Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo”, de Larry Rohter, que trabalhou como correspondente do NY Times no Brasil entre 1999 e 2007.

Pessoalmente, é uma boa leitura para revigorar os ânimos nacionalistas. É bastante interessante, pois Larry mostra uma beleza brasileira que muitas vezes nos passa despercebida. O autor fala de cultura, da sociedade, da política nacional, de sua relação pessoal com o presidente Lula, da política internacional, da Amazônia e de economia/ciência.

O livro está caindo como uma massagem nas costas do meu espírito brasileiro, ao mesmo tempo em que me deixa feliz e relaxada com a exuberância multifacetada da nossa nação, dói quando os pontos mais tensos são tocados, como a pobreza, o preconceito, a falta de valorização do que é nosso, entre outros.

Para quem se interessar, eis os dados do livro formalmente detalhados como nos foi traumatizado, digo, ensinado nas aulas de conhecimento e método:

ROHTER, Larry. Deu no New York Times: O Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.