
Devo confessar que nenhum desses casos me sensibiliza tanto quanto a questão da Palestina. Estudar sobre isso foi como me auto-traumatizar com algo que não vivo, não presencio, não sinto na pele nem sinto o cheiro, mas só a palavra escrita, as imagens e os vídeos que vi foram e são suficientes para desencadear um surto de taquicardia e dor no peito que não sei ao certo se faz sentido.
É uma questão complicada. Às vezes parece que Violência e Fé são dois lados de uma mesma moeda.
O que aconteceu com o povo Palestino é internacionalmente reconhecido como uma injustiça, porém, a ação de grupos terroristas mina todo o respaldo que a causa teve ou tem ou possa vir a ter.
Em 2006, quando o HAMAS venceu as eleições, confesso que fiquei satisfeita. Hoje, todavia, estou profundamente decepcionada com a postura por eles adotada, pois consiste em um ciclo vicioso de matar e morrer mais e mais. Desse modo, concentro meu apoio e esperanças no FATAH.
Israel quer a criação do tão esperado Estado Judaico na Terra Prometida. Terra essa que possui pontos importantes para os três descendentes de Abraão (judeus, cristãos e mulçumanos). O Hamas não reconhece o Estado de Israel, uma vez que foi criado em território palestino sem o aval da população. Como se não bastasse, veio a Guerra dos Seis Dias que resultou em menos território para o povo palestino.
Afirmações:
# Israel
1. Israel tem todo o direito de defender seu território de ações terroristas;
2. Isso não deixa Israel livre para cometer crimes de guerra (atacar civis, responder desproporcionalmente aos ataques recebidos, e outros que adiciono como crimes de guerra: Bombardear instituições de organismos internacionais, impedir a entrada de ajuda humanitária na região atacada, atacar estoques alimentícios, entre outros);
3. Eu realmente não gostaria de estar no lugar dos governantes de Israel e lidar com os ataques Palestinos.
# Palestina
1. A população palestina tem todo o direito se sentir injustiçada pela criação do Estado de Israel;
2. A Palestina tem todo o direito de querer de volta os territórios perdidos na Guerra dos Seis dias;
3. Os palestinos têm o direito de visitar seus locais sagrados localizados em Israel;
4. Os palestinos não têm o direito de infligir ações terroristas contra Israel.
# Eu
1. Para conseguir a paz, é necessário deixar o passado no passado;
2. A Palestina não tem hard power suficiente para conseguir o que quer do jeito que está fazendo;
3. Os países árabes deveriam desempenhar um papel mais sensato nesse conflito;
4. O alimento do conflito é o extremismo religioso dos dois lados.
De certo modo, a paz nessa região parece algo longínquo e abstrato, coisa de outro planeta. É fácil fazer essas análises superficiais do conflito, afinal, não perdi ninguém importante nele, minha família não corre perigo com ele, não vivo essa vida nervosa a qual eles estão condenados. Mas me preocupo com eles.
Em O Bobo, Alexandre Herculano escreveu que "Numa sociedade em que as torpezas humanas assim apareciam sem véu, o julgá-las era fácil. O dificultoso era condená-las". Faço de suas palavras minhas palavras.
